“O FUTURO É ANCESTRAL”

reflexões sobre o Movimento Indígena e a instituição do primeiro Ministério dos Povos Indígenas no Brasil

Autores

  • Maria Alane Pereira de Brito Universidade Federal do Ceará – UFC
  • Antônio Alberto Freitas Universidade Federal do Ceará – UFC
  • Suely Salgueiro Chacon Universidade Federal do Ceará – UFC
  • Maria Laís dos Santos Leite Universidade Federal do Cariri – UFCA
  • Verônica Salgueiro do Nascimento Universidade Federal do Ceará – UFC

DOI:

https://doi.org/10.21171/ges.v18i52.3798

Palavras-chave:

movimentos sociais indígenas, políticas indigenistas, ministério dos povos indígenas

Resumo

Durante séculos, os povos indígenas têm se articulado de diferentes formas para travar suas lutas contra um modelo político e social eurocêntrico e colonizador que os silenciou desde a colonização no Brasil. O movimento indígena desempenhou um papel fundamental na conquista de seus direitos, culminando na instituição do primeiro Ministério dos Povos Indígenas. Nesse sentido, o artigo tem como objetivo analisar a contribuição do movimento indígena na construção dos direitos e das políticas indigenistas no Brasil, refletindo sobre o contexto contemporâneo e as perspectivas da ação coletiva dos movimentos sociais. Para isso, apresenta uma metodologia qualitativa, de cunho teórico, em que se utilizou como métodos de busca, as Pesquisas Bibliográfica e Documental. Conclui-se, que o supracitado movimento social possibilitou a conquista das políticas indigenistas até a contemporaneidade, ao passo que o Ministério dos Povos Indígenas representa um marco na história desses povos, que historicamente enfrentaram processos de marginalização e exploração.

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Biografia do Autor

Maria Alane Pereira de Brito, Universidade Federal do Ceará – UFC

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Avaliação de Políticas Públicas pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Graduada em Administração Pública e Gestão Social pela Universidade Federal do Cariri (UFCA). Pesquisadora Capes vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Avaliação de Políticas Públicas (PPGAPP/UFC). Pesquisadora no Laboratório de Estudos em Políticas Públicas, Territorialidade e Diferenças - Uné (2023). Pesquisadora no Grupo de e Ações Paulo Freire da UFC (2022-2023).

Antônio Alberto Freitas, Universidade Federal do Ceará – UFC

Graduado em Administração Pública pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira
(Unilab). Mestrando em Avaliação de Políticas Públicas pela Universidade Federal do Ceará (PPGAPP/UFC).

Suely Salgueiro Chacon, Universidade Federal do Ceará – UFC

Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará (1990), Mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal do Ceará (1994) e Doutorado em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (2005). Estágio pós-Doutoral em Economia do Desenvolvimento na Universidad Autónoma de Madrid (2019-2020). É Professora Associada e Pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC), atuando nos cursos de Graduação de Gestão de Políticas Públicas e de Economia Ecológica, e no Programa de Pós-Graduação em Avaliação de Políticas Públicas (PPGAPP). Lidera o Grupo de Pesquisas Laboratório de Estudos Avançados em Desenvolvimento Regional Sustentável (LEADERS) e Coordena o Núcleo de Apoio à Gestão Pública (NAGEP).

Maria Laís dos Santos Leite, Universidade Federal do Cariri – UFCA

Residência Pós-Doutoral (em andamento) no Programa de Pós-Graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Doutora em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Mestra em Desenvolvimento Regional Sustentável pela Universidade Federal do Cariri - UFCA. Graduada em Psicologia, com ênfase em Psicologia e Processos de Gestão, pelo Centro Universitário Leão Sampaio - UniLeão com bolsa pelo Programa Universidade para Todos - ProUni. Desde 2014 atua como servidora técnico-administrativa da Universidade Federal do Cariri - UFCA. Líder do Grupo de Pesquisa e Laboratório de Estudos em Políticas Públicas, Territorialidade e Diferenças-Uné (UFCA/CNPq). Membro do Grupo Mobilizador da Red Latinoamericana de Psicología Rural - RedPsiRural.

Verônica Salgueiro do Nascimento, Universidade Federal do Ceará – UFC

Psicóloga, possui doutorado em Educação pela Universidade Federal do Ceará (2009) e Pós-Doutorado no
programa de Pós-Graduação em Psicologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (2015). Professora da
Universidade Federal do Ceará (UFC).

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Publicado

2026-01-09

Como Citar

Pereira de Brito, M. A., Freitas, A. A., Salgueiro Chacon, S., dos Santos Leite, M. L., & Salgueiro do Nascimento, V. (2026). “O FUTURO É ANCESTRAL”: reflexões sobre o Movimento Indígena e a instituição do primeiro Ministério dos Povos Indígenas no Brasil. Gestão E Sociedade, 18(52). https://doi.org/10.21171/ges.v18i52.3798